O que são quintas e oitavas ocultas?

Na escrita polifônica, uma quinta direta ou oculta ocorre quando há um movimento em uma mesma direção entre as vozes externas (baixo e soprano) alcançando um intervalo de quinta. A oitava direta ou oculta tem comportamento análogo. É importante observar que as quintas e oitavas ocultas não são paralelas. É possível partir de um outro intervalo e chegar à quinta ou oitava.

Na figura abaixo há quatro exemplos desse tipo de procedimento. No primeiro exemplo, primeiro tempo, existe um intervalo de terça entre baixo e soprano (notas vermelhas). Essas duas vozes na mesma direção ascendente para alcançar, no tempo seguinte, uma quinta justa. No segundo exemplo, o intervalo do primeiro é de sexta e ambas vozes externas se movimentam para alcançar quinta justa. Neste caso, o soprano se movimenta por grau conjunto (GC). No terceiro e quarto exemplos há um movimento para alcançar a oitava justa por movimento direto.

Assim como o paralelismo de quintas e oitavas1, as quintas e oitavas ocultas ou diretas são consideradas indesejadas. Há porém, uma situação em que este movimento se torna aceitável2: quando o soprano atinge a quinta ou oitava direta em movimento por grau conjunto (exemplos 2 e 4).

Em breve teremos um post sobre as razões para evitar paralelismo de quintas e oitavas.

Este texto foi publicado originalmente no Resposta Tonal.

Referências


  1. Ver postagem sobre movimento paralelo. ↩︎

  2. Kostka, Stefan M., Dorothy Payne, and Byron Almén. 2017. Tonal Harmony: With an Introduction to Post-Tonal Music. 8th ed. New York: McGraw-Hill Education. ↩︎

Marcos Sampaio
Marcos Sampaio
Professor de Teoria e Composição Musical

Meus interesses de pesquisa incluem Musicologia Computacional, Contornos melódicos, Teoria Musical e Joseph Haydn.

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